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Artesãos Seu Vicente e Seu Tuti são homenageados Mestres da Cultura de MT

Um documentário, uma exposição fotográfica e dois perfis jornalísticos serão lançados nesta sexta-feira (31.12)
Assessoria

- Foto por: Lautaro Actis
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Vicente Guató e Tuti Moreira são artesãos da viola de cocho, um dos maiores símbolos da cultura mato-grossense. Eles serão homenageados com um documentário, uma exposição fotográfica e dois perfis jornalísticos. Estes produtos artísticos serão disponibilizados a partir das 19h desta sexta (31) no site do Instituto Homem Brasileiro - IHB.

O projeto “No ritmo da viola de cocho: entre a Chapada e a Serra do Amolar, nas águas do Pantanal" foi contemplado no edital Conexão Mestres da Cultura – Marília Beatriz de Figueiredo Leite, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).

Os homenageados não se conhecem, nunca sequer se viram pessoalmente, um é pantaneiro (Vicente) e o outro é chapadense (Tuti), mas têm muito mais em comum do que poderiam imaginar. Além de mestres violeiros, são também septuagenários, descendentes de indígenas, moram em zonas rurais, se mantêm em função da cultura de subsistência e convivem, cada qual à sua maneira, com uma espécie de isolamento.

O documentário, homônimo ao projeto, conta com direção compartilhada de  Lautaro Actis e Gabriele Viega Garcia. O filme tem um tom naturalista e alterna entre imagens cotidianas dos mestres em seus respectivos espaços e trechos de entrevistas com os dois. A produção contou com uma equipe reduzida para possibilitar maior fluidez e naturalidade nas conversas.

A exposição “Mestres da Cultura - Vicente Guató e Tuti Moreira”, composta por 40 fotografias de Lautaro Actis e Gabriele Viega Garcia, apresenta um olhar sensível sobre gestos, olhares e o contexto local dos mestres. E os perfis jornalísticos, um para cada homenageado, escritos por Túlio Paniago, apresentam um panorama de suas vidas a partir de relatos pessoais e das circunstâncias históricas de suas trajetórias.

Importante ressaltar que o modo de fazer viola de cocho, sabedoria ancestral que os mestres Tuti e Vicente Guató guardam em si, é registrado, desde 2005, como Patrimônio Imaterial Brasileiro no Livro de Registro dos Saberes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Vicente Guató

Filho de pai e mãe Guató, Vicente, 75, é um legítimo representante desta etnia de canoeiros nômades que chegou a ser considerada extinta em 1957. É possivelmente o último falante vivo da língua Guató. Ele também conserva outros conhecimentos ancestrais, como a feitura de canoa, ganzá, remo, zinga, arpão, vara de pesca e zagaia. Ele literalmente personifica a cultura de um povo.

Vive em um casebre às margens do Rio Cuiabá, no coração do pantanal, na companhia de pelo menos 30 gatos. Sua alimentação é à base de peixes da bacia do rio Prata, principalmente pacu e piranha. E também planta mandioca, batata, abóbora, banana e manga, que complementam seu sustento.

Tuti Moreira

Poucos o conhecem como Nelson José Moreira, 71. Tuti, como prefere ser chamado, é bisneto de Bororo. Vive na região do Capão Seco, em uma área de cerrado do município de Chapada de Guimarães. Sua pequena propriedade rural é cercada por imensas lavouras de grandes latifundiários.

Apesar das muitas festividades envolvendo a viola de cocho na cidade e nas comunidades quilombolas da região, o chapadense é apontado pelos moradores como o último mestre violeiro de quem se tem notícia no município, por isso é muito respeitado na região, principalmente dentro das comunidades quilombolas da região (Ribeirão Itambé, Morro do Cambambe, Lagoinha de Baixo e Lagoinha de Cima)

Serviço
O que: Lançamento de documentário, exposição fotográfica e dois perfis em homenagem aos Mestres da Cultura Vicente Guató e Tuti Moreira
Quando: 31 de dezembro às 19h
Onde: https://www.institutohomembrasileiro.org/